Os 25 deputados federais integrantes da Comissão Especial que analisa
o projeto de lei que vai definir regras para a Copa do Mundo de 2014 e a
das Confederações em 2013 no Brasil voltam a se reunir nesta
terça-feira (14) para votar a versão modificada pelo relator Vicente
Cândido (PT-SP).
O grupo foi constituído em outubro de 2011 e a primeira versão do
relatório foi apresentada no dia 6 de dezembro. O texto liberava a venda
de bebida alcoólica nos estádios brasileiros, inclusive antes e depois
da Copa, alterando o Estatuto do Torcedor, e desrespeitava o Estatuto do
Idoso, impedindo pessoas com idade entre 60 e 65 anos de pagar a metade
do preço dos ingressos.
As mudanças incitaram reações do governo e de representantes da
sociedade e o deputado Vicente Cândido voltou atrás em alguns pontos. No
dia 13 de dezembro, último encontro da comissão, o relator retirou o
item que previa a venda de bebidas nos jogos de clubes brasileiros. A
votação, porém, foi adiada para este ano.
No final de janeiro, Vicente Cândido mudou de ideia mais uma vez.
Dizendo ter chegado a um acordo com o ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, e com o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez , o
parlamentar declarou que iria incluir novamente no relatório a liberação
do álcool também nas partidas fora da Copa.
O governo, no entanto, desmentiu o deputado e o convocou para uma
reunião na última terça (7) em que estavam presentes emissários diretos
de Dilma Rousseff, como a ministra de Relações Institucionais, Ideli
Salvatti. No encontro, Cândido foi convencido a seguir as orientações
governamentais.
De acordo com o presidente da Comissão Especial da Lei Geral da Copa,
deputado Renan Filho (PMDB-AL), que estava na reunião, o Executivo quis
manter a venda de bebidas alcoólicas somente no evento organizado pela
Fifa.
- Não faz sentido numa lei específica alterar uma lei mais ampla. Uma
coisa é liberar cerveja nos estádios, outra é liberar só na Copa, que é
muito mais segura, onde muitas pessoas são estrangeiras, a segurança e o
fluxo do trânsito são diferenciados. Se quiser liberar álcool nos
estádios, é preciso haver uma ampla discussão sobre um dos projetos
específicos que tratam do Estatuto do Torcedor no seu foro apropriado.
Após o encontro com o governo, Vicente Cândido reeditou seu
relatório e o distribuiu aos integrantes da comissão e líderes dos
partidos na Câmara. A nova versão delimita que “a venda e o consumo de
bebidas, em especial as alcoólicas, nos locais oficiais de competição,
são admitidos desde que o produto esteja acondicionado em copos de
plástico, vedado o uso de qualquer outro tipo de embalagem”.
O texto especifica também que a Fifa deverá colocar à venda 300 mil
ingressos válidos para todas as partidas para a categoria de menor
preço, que deve custar R$ 50, sendo metade para estudantes e idosos a
partir de 60 anos de idade e a outra metade para indígenas, beneficiados
do Bolsa Família e pessoas que devolverem uma arma de fogo.
O outro item acordado na reunião referia-se à responsabilidade civil do
governo brasileiro em caso de atentados. A FIFA pedia que o artigo fosse
melhor detalhado, mas o governo manteve o texto original em que assume
“os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA por todo e qualquer
dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou
acidente de segurança relacionado aos eventos”.
Segundo o presidente da Comissão Especial, Renan Filho, o Executivo
pretendia evitar que a discussão se prolongasse para dar celeridade à
votação.
- Vamos votar na Comissão, o texto ainda vai a plenário depois ao
Senado, depois se alterado volta. Há um transcurso longo que precisa ser
percorrido. Depois da comissão, o texto ainda vai para o plenário da
Câmara, de pois para o Senado. Se lá tiver mudança, ainda volta para a
Câmara. É ilusão acharmos que vamos resolver tudo agora. Se algo mais
tiver que ser alterado, que seja adiante.
Renan Filho destaca que, se o relatório for aprovado nesta terça, o
texto chegará ao plenário da Câmara na próxima semana ou após o
Carnaval. Tanto o governo quanto a Fifa manifestaram esperar que o
projeto chegue às mãos da presidente Dilma para ser sancionado até o
final de março.
Fonte: cenariomt